
HTSR
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A cadeira... Sim o assento onde, agora, apoia-se o corpo... um sustentáculo de ossos... Pensamentos? Que pensamentos? Como have-los num mundo sem linguagem? Análises, associações, sínteses... reduziram-se a partículas em suspensão, que nem mesmo um fio de luz poderia revelar, dado sua inexistência naquele espaço...
Sem coordenadas, a priori, nem temporais... nem espaciais... sem linguagem... como obter algum conjunto de movimentos ao nível da pré-atuação? Nenhuma iniciativa sub-vocal... Nenhum impulso sub-gestual... Quietismo e quietude... Nem fala e nem ação... Situação inenarrável e inaferível...
Mas... já não era sem tempo aquele perder-se no tempo... Como o frasco com auto-fluxo de Robert Boyle, cuja possibilidade ocorre tão só no imaginário, o paradoxo haveria de, por si só, impor-se aquele ser, ainda vivente...
Se máquinas de moto contínuo não existem no mundo compartilhável, um consenso acerca do real, ele mesmo tinha se transformado nesse mecanismo e real era um conceito sem sentido... Agora rememorava espectros dum real, hoje virtual, soterrado por um virtual que é mais do que real... Tão real que impõe sobre qualquer vontade a decisão atroz de sua autoridade magistral... E ele a esvair-se no tempo como areia em uma ampulheta animada, que vira e revira-se por própria vontade. A questão não é a finalidade deste voltar a si sem volta, pois o que passou, passou... É o inconformismo temporal... é a rebeldia contra Cronos... É a prometeica arrogância de se desafiar um deus... E o castigo é o próprio enfrentamento. É ter na própria carne o deus incorporado. Assim, a cada instante que o tempo se esvai, um pedaço de si mesmo foge e a própria história se distância... A cada volta uma revolta... Um moer-se cada vez mais... um tornar-se mais areia... cujos grãos se esvoaçam na ventania dos minutos, que não o são mais para serem horas... E ele, o que sabe do tempo, na alienação kairológica de sua dor, onde quanto mais lhe foge o tempo maior o seu sofrimento... A pele que se reduz a pó... as lágrimas que se reduzem a sangue... os lábios que os próprios nervos costuram... A poesia silenciada em suas notas... Versos que escorrem por olhos fechados... A metamorfose... o virtual que, de instância do real, reduziu o real a sua instância...(continua)
Sem coordenadas, a priori, nem temporais... nem espaciais... sem linguagem... como obter algum conjunto de movimentos ao nível da pré-atuação? Nenhuma iniciativa sub-vocal... Nenhum impulso sub-gestual... Quietismo e quietude... Nem fala e nem ação... Situação inenarrável e inaferível...
Mas... já não era sem tempo aquele perder-se no tempo... Como o frasco com auto-fluxo de Robert Boyle, cuja possibilidade ocorre tão só no imaginário, o paradoxo haveria de, por si só, impor-se aquele ser, ainda vivente...
Se máquinas de moto contínuo não existem no mundo compartilhável, um consenso acerca do real, ele mesmo tinha se transformado nesse mecanismo e real era um conceito sem sentido... Agora rememorava espectros dum real, hoje virtual, soterrado por um virtual que é mais do que real... Tão real que impõe sobre qualquer vontade a decisão atroz de sua autoridade magistral... E ele a esvair-se no tempo como areia em uma ampulheta animada, que vira e revira-se por própria vontade. A questão não é a finalidade deste voltar a si sem volta, pois o que passou, passou... É o inconformismo temporal... é a rebeldia contra Cronos... É a prometeica arrogância de se desafiar um deus... E o castigo é o próprio enfrentamento. É ter na própria carne o deus incorporado. Assim, a cada instante que o tempo se esvai, um pedaço de si mesmo foge e a própria história se distância... A cada volta uma revolta... Um moer-se cada vez mais... um tornar-se mais areia... cujos grãos se esvoaçam na ventania dos minutos, que não o são mais para serem horas... E ele, o que sabe do tempo, na alienação kairológica de sua dor, onde quanto mais lhe foge o tempo maior o seu sofrimento... A pele que se reduz a pó... as lágrimas que se reduzem a sangue... os lábios que os próprios nervos costuram... A poesia silenciada em suas notas... Versos que escorrem por olhos fechados... A metamorfose... o virtual que, de instância do real, reduziu o real a sua instância...(continua)