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Nada como a lucidez de espírito para escrever palavras tão estimulantes a um amigo ou a si mesmo... A dor acompanha o “descortinar” de um novo “grande” momento em nosso “devir”. Grande não em volume ou extensão... mas, sim, grande em importância ou, metaforicamente me expressando, em profundidade... Um novo mergulho nas águas do existir... Como cada vez mais fundo... mais ousado... maior o frio inicial. Mergulhar onde jamais nos aventuramos antes... descobrir novas paisagens... depurar a visão... sair da obviedade da claridade... abandonar o tépido conforto de uma homeostática cotidianicidade... Nos afastarmos do “sol” social para ingressarmos no “espaço interior”... Cada vez mais profundamente... onde, para enxergarmos, teremos que desenvolver luz própria... típica dos seres das profundezas... Nada de ver com olhos emprestados ou roubados... Nada de sentir com sentidos de outrém. Nada de metades... Nem “caras” e nem “baratas”... Unicidade em si mesmo, isso sim... Um espelhar-se em si... Um egoísmo salutar, uma ética do amor próprio, antes de um egocentrismo... Um voltar a si... Um estar em si... Libertar-se de mais alguns grilhões que já se afundavam na própria carne... Que eram mais do que assimilados pelo corpo, assimiladores do espírito... Ainda que a disjunção cartesiana não seja tão degustável pelo meu crítico paladar, à ela apelo como um recurso fortalecedor à proeminência cognitiva, sem a qual nosso comportamento se assemelharia ao de alguém em estado comatoso. Assim... um viva a razão! Ou melhor, à meta-razão! A razão das razões! Ao que nos faz pensar... Ao que nos move rumo ao esclarecimento... À não inércia! Um viva à angústia! Que, como diz Comte-Sponville, é o motor de nossa ação! Um viva à dor! O alarme que nos desentorpece e nos faz sentirmos vivos!