
HTSR
Sobre a questão de ser e fazer "feliz", primeiramente, trocaria - sem reservas - o verbo "ser" pelo verbo "estar". Tais verbos são tão freqüentemente usados no mesmo sentido que em alguns idiomas têm a mesma forma, tal como no Inglês (To Be) ou Alemão (Sein). Mas em Português guardam diferenças de uso, assim como no Inglês e Alemão mantêm, nítidas, diferenças de interpretação, conforme o emprego. Por exemplo, a frase: I am here ("eu estou aqui" - é impossível ser entendida como "eu sou aqui"). Ninguém é feliz! Estamos felizes - dependendo das circunstâncias. Se fossemos felizes nem o saberíamos, por inexistência de estado oposto para comparação. Só existe a percepção do fenômeno designado por "dia" porque existe o, distinto, entendimento de um fenômeno oposto, designado por "noite" e é essa diferença (a distinção da presença e ausência de luz) que justifica a ocorrência e o uso dos diferentes vocábulos (dia/noite). Do mesmo modo só é possível se perceber "feliz" por comparação com os estados de "infelicidade". Assim, temos momentos de "felicidade" ou "infelicidade" e não somos "felizes" ou "infelizes". Se fóssemos "felizes" nos seria impossível ser, em qualquer momento, "infelizes". Se isso fosse verdade, nossas essências seriam mutantes. Nosso Ser seria cambiável. Em outras palavras, isso me conferiria a propriedade de ora ser Maria e ora ser João. Isso é impossível! Algo é ou não é. Este é um dos primeiros princípios da lógica formal. Algo ser e não ser implica em absurdo! Terra é terra, não é água. E o gelo é água, ainda que em outro estado (o que lhe confere uma outra forma). Aparência é uma coisa, essência é outra. Por isso, o que há, existe de um certo modo - que é a manifestação de uma dada essência no mundo fenomênico. Faz parte da essência humana existir tendo momentos de "felicidade" e "infelicidade". Já o verbo fazer - no sentido de manufatura - nesse caso, é completamente estaparfúdio. O máximo que um indivíduo pode fazer por outro, em relação ao que se discute, é inspirar ou propiciar condições em que certas possibilidades, a partir da perspectiva do outro, possam efetivar-se, para este, em momentos de "felicidade". Nos compete é tentar maximizar, para nós mesmos, tais momentos de "felicidade", que quase se expressa como a média aritmética entre duas potências metafísicas: Felicidade e Infelicidade. Nossos esforços tanto podem ser empregados no sentido qualitativo (pois que a percepção do estado de "felicidade" comporta a noção de grau) como no aspecto quantitativo (já que a mesma percepção, também, comporta a noção de número). Assim, temos que nos "relacionar" com essa equação: "felicidade/infelicidade". A mesma é mais um domínio no drama da existência humana.