
Possivelmente os petistas mais avermelhados já estão eriçados. Não obstante, esses são os fatos: sempre que se critica Lula ou o PT, a maioria das reações é típica de fanáticos. Tanto como não se pode criticar o Papa, para o católico carola, ou se discordar acerca de alguma prática da tradição para um fundamentalista, do mesmo modo não podemos apontar qualquer erro na Presidência ou dela ter uma opinião distinta. Quando não se fazem de vítimas ou desentendidos, não hesitam em acusar todos que levantam a voz "contra" eles como "golpistas", "direitistas", "reacionários" ou "facistas". Diz-se que a imprensa se uniu contra Lula, Dilma & Cia. A menos que eu seja muito desinformado, o que vejo são revelações concretas de desmandos, corrupção e favoritismo no Planalto e entre aliados. A Presidência da República, por si só, não confere imunidade (e nem deveria) ao controle de suas ações, quer por parte da população, diretamente, quer por organizações de classe, oposição ou imprensa. A questão não é fazer de Serra e outros integrantes da oposição ou imprensa um coro de anjos. A grande questão é que a situação e sua torcida não aceitam que Lula, candidata a sucessor, PT e aliados não são santos. Que políticos costumem utilizar expedientes pueris e carnavalescos para se atacarem é fato consumado: faz parte do show. Agora, aproveitar-se do espetáculo circense para atacar instituições que sustentam a sociedade democrática (ao melhor do caudilhismo tropical) é outra coisa, completamente diferente. O que é de se admirar é ver pessoas instruídas entrando gaiatos e ingenuamente nessa fantasia. E assim o populismo faz história. Como numa partida de futebol os espectadores fazem a festa, com seus confetes, seus rojões e suas hipérboles (como quando comparam Lula a Benito Mussolini e Serra a Paul Goebbels).
Cabe a quem está no poder, em uma democracia, ser o primeiro a dar o exemplo de como nela agir e ser seu guardião aguerrido. É muito fácil, quando o governo desvirtua sua missão, acusar os que se lhe opõe de “golpistas” e antidemocráticos. Mesmo que tenham que distorcer os fatos, fazendo de um ex “arenista” um ser acima de outros cidadãos e grande defensor dos ideais democráticos. Incrível, um ex integrante do partido que mais apoiou a ditadura, que perseguiu a esquerda com toda sua energia, agora é um aliado daquele que diz defender os ideais socialistas. O poder corrompe. Não é por acaso que grande parte da esquerda não petista faça oposição a seu situacionismo, clientelismo e democratismo de ocasião.
Em reportagem do jornal “O Estado de São Paulo” (“Estadão”) intitulada: “Após ataques de Lula, juristas lançam 'Manifesto em Defesa da Democracia”[1], temos citações indignadas ao autoritarismo (termo passível de ser corretamente aplicado, uma vez que o atual governo postula o princípio da autoridade, aplicando-o, com freqüência, em detrimento da liberdade individual), como as de Roberto Freire que pertencia ao antigo Partido Comunista, assim como Hélio Bicudo, ambos com ampla militância na esquerda. Mas isso de nada adianta.
O Estado de São Paulo está sob censura há mais de 01 ano por denunciar os "atos secretos no senado" e fazer jornalismo investigativo. Um desembargador ligado a família do Maranhão impôs-lhe a "mordaça". O Estado de São Paulo é direitista por denunciar as falcatruas de uma pessoa, de quem afirmou-se ser um cidadão incomum? Pessoa essa com histórico totalmente comprometido nas práticas oligárquicas e de coronelismo, que tanto assolaram e assolam este país?
Falta maturidade política ao brasileiro. Acostumado, por tanto tempo, apenas ter liberdade para torcer por times de futebol e escolas de samba, parece que incorporou o hábito à genética. Hoje confunde o embate pluripartidário e a escolha de seus representantes com um jogo de várzea ou escolha da escola campeã.
Meu apoio irrestrito a liberdade de crítica, a possibilidade de expressá-la e de imprensa, circunscrita aos devidos escrúpulos éticos.